terça-feira, 26 de outubro de 2010

HISTORIA DO MESTRE PRETO ZÉ PHELINTRA (origem blog juremeiro neto)

Mestre Preto Zé Pelintra

Mestre Preto Zé Pelintra
Veja a Seqüência de Datas
Para falar no Mestre Preto Zé Pelintra, (José de Aguiar) temos que entrar na Historia do Brasil, vamos ao Estado onde Nasceu o nosso Bom Mestre…
MEUS IRMÃOS DE JUREMA QUANDO O MESTRE VEM EM TERRA ELE FALA ATRAVES DE SUAS CANTIGAS E AS SUAS LEMBRANÇA O QUE VIVEU E ONDE VIVEU, PARA ENTERDER ISSO E NESCESSARIO CONHECER A ONDE ELE VIVEU E O SEU TEMPO AQUI.
O MESTRE PRETO ZÉ PELINTRA NASCEU NA VILA DO CABO.

Pernambuco
A origem do nome Pernambuco: O nome Pernambuco vem do tupi Paranãpuka, que significa “buraco de mar”, expressão com a qual os índios conheciam a foz do rio Santa Cruz, que separa a ilha de Itamaracá do continente, ao norte do Recife. Daí caminhou para suas formas primitivas Perñabuquo e Fernambouc, já denominando o porto do Recife e fazendo-se presente nos mapas portugueses. As Tribos indígenas eram “Caetés, Tabajaras e Potiguares, Pertencentes à grande família Tupi”.
Desejando acelerar o ritmo da colonização das terras brasileiras, D. João III resolve introduzir um novo sistema político-administrativo, que recebeu o nome de Capitanias Hereditárias. Através deste sistema, pretendia o Rei de Portugal executar um rápido desenvolvimento da colônia com um mínimo de desgaste dos cofres reais, pois caberia a cada Donatário (nobre português que recebia a doação de um lote de terra ou Capitania) arcar com todas as despesas para explorar e colonizar a capitania mediante a concessão de alguns direitos aos Donatários tais como o de ministrar justiça, distribuir terras aos colonos, arrecadar os impostos e fundar povoações e vilas, esperava o rei que eles contribuíssem para o rápido povoamento do litoral brasileiro, a fim de impedir a invasão por piratas e corsários nos seus portos ou praias. Dando continuidade ao seu plano, D. João III inicia a primeira fase das doações, que vai de 1534 a 1536, compreendendo o primeiro quatorze Capitanias Hereditárias no Brasil. Falaremos da Capitania de Pernambuco ou Nova Lusitânia. A Capitania de Pernambuco ou Nova Lusitânia, com 60 léguas, localizava-se compreendida entre os rios Igaraçu e o São Francisco. E foi concedida a Duarte Coelho, navegador e soldado da Ásia. Pernambuco foi uma das duas Capitanias que obtiveram um relativo êxito. Com o êxito de duas capitanias, o Rei de Portugal continuou com o sistema e criou o Governo Geral. Em Pernambuco, se estabeleceram vários engenhos, onde a cana de açúcar era o principal produto na lavoura e a mão de obra era escrava. Criou-se a sociedade açucareira dos grandes latifundiários da cana de açúcar.
O DOMÍNIO HOLANDÊS Com o domínio Espanhol sobre Portugal, entre 1580 e 1640, e a proibição do comércio do açúcar com os Holandeses, estes aproveitaram para invadir o Nordeste do Brasil, inicialmente a Bahia e posteriormente Pernambuco em 1630. Durante os dez anos seguintes, aconteceram combates pela posse da terra. E desde 1637, Maurício de Nassau, com grande eficiência, governava Pernambuco a serviço da Companhia das Índias Ocidentais. Nassau marcou presença em Pernambuco como bom administrador, tolerante, político, urbanista, comerciante e mecenas, acabou gastando muito para os olhos da Companhia das Índias Ocidentais, que não viam o porquê de uma administração exemplar. Os atritos eram inevitáveis. Nassau renunciou ao cargo em 1644. A junta de comerciantes que o substituiu não deu continuidade ao seu trabalho, devido à ambição. Aliado a esse fato, os senhores de engenho se encontravam endividados perante a Companhia das Índias Ocidentais fizeram com que as hostilidades se reacendessem.
INSURREIÇÃO PERNAMBUCANA (1645) Explodiu a Insurreição Pernambucana de 1645 a 1654 com batalhas travadas no Monte dos Guararapes e a vitória Pernambucana. A expulsão dos Holandeses de Pernambuco em 1654 e os investimentos feitos na produção de açúcar das Antilhas fizeram com que os pernambucanos perdessem o seu tradicional investidor, bem como o seguro mercado consumidor de seu produto.
Em Olinda havia muito luxo, pedantismo e ostentação, mas o dinheiro andava escasso. Já em Recife os comerciantes eram pobres em tradição, porém ricos em dinheiro. Mas apesar de sua ascensão econômica, Recife ainda continuava submisso à Câmara Municipal de Olinda. A elevação de Recife à condição de vila, fruto da assinatura por D. João V de uma carta Régia assegurando-lhe essa emancipação, fez os ânimos se acirrarem entre olindenses e recifenses.
GUERRA DOS MASCATES (1710) As divergências quanto à fixação dos limites da nova vila foram muitas e culminaram com uma tentativa de assassinato do governador, que fugiu. Em novembro de 1710 os habitantes de Olinda invadiram Recife, ocupando-a e destruindo o pelourinho (monumento que simbolizava a criação do município). Durante a ocupação, Bernardo Vieira de Melo, líder da ocupação, propôs que Pernambuco se tornasse uma república. Foi a primeira vez que se falou em república no Brasil, o qual acabou se tornando 179 anos mais tarde. O poder foi entregue ao bispo de Olinda, D. Manuel Álvares, que manteve a região ligada à metrópole. Os revoltosos foram anistiados. Os conflitos não terminaram, pois os mascates (daí ser chamada de guerra dos mascates) voltaram à luta. Somente com a chegada do novo governador, em 1711, é que a luta terminou. Daí em diante Recife consolidou cada vez mais sua posição de destaque em relação à Olinda.
REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA (1817) Em 1817, durante o Império, fatores econômicos, políticos e social foi responsável pela Revolução Pernambucana. A crise na produção do açúcar e algodão, luta dos senhores rurais e homens livres contra o domínio comercial dos portugueses e para diminuir os preços dos gêneros de primeira necessidade que eles vendiam. O desejo de substituir a Monarquia Absoluta pela República forma mais liberal de governo, já adotada nos Estados Unidos da América. As grandes desigualdades sociais e raciais existentes, que os revolucionários queriam eliminar. As idéias de liberdade e emancipação espalharam-se rapidamente pelas sociedades secretas, pelos quartéis, entre o clero, e cada vez mais pelo seio da população. O estopim da revolta foi à ordem de prisão dada pelo governador de Pernambuco aos principais suspeitos de liderar o movimento. Estava iniciada a revolução. Os revolucionários venceram as forças do governador e organizaram um governo provisório. Enviaram emissários para o exterior e capitanias do Nordeste, recebendo adesão da Paraíba, do Rio Grande do Norte e de Alagoas. Os revolucionários ainda venceram algumas lutas contra as forças militares, mas acabaram sendo vencidos, e seus principais líderes executados no Recife. A Revolução Pernambucana de 1817 conseguiu congregar religiosos, militares, intelectuais e populares em torno do ideal comum da emancipação política e do estabelecimento do governo republicano. No Nordeste, apesar da Independência, continuavam a existir os problemas econômicos e sociais contra os quais haviam lutado os revolucionários de 1817.
CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR (1824) Na revolução conhecida como Confederação do Equador de 1824, os antigos revolucionários e os proprietários de terras, apesar de divergirem em algumas idéias, continuaram lutando contra a ordem vigente, sendo mais uma vez derrotados.
REVOLUÇÃO PRAIEIRA (1848) governo conservador que assumiu o poder em 1848, nomeou um presidente também conservador para Pernambuco, desgostando os liberais desta província, que se revoltaram. O movimento denominado Revolução Praeira, devido ao jornal liberal funcionar na Rua da Praia, teve início em Olinda, marchando para o Recife. Os rebeldes não conseguiram tomar a cidade. Com menos de um ano, a rebelião foi derrotada. A anistia concedida pelo governo central em novembro de 1851 pôs fim ao movimento.
A título de curiosidade: Não existe no Recife, nem talvez no Grande Recife, nenhum logradouro público (ponte, viaduto, praça, avenida, rua, travessa, beco etc.) com o nome de D. Pedro I. Embora não devamos esquecer seu nome, devemos nos lembrar que foi ele, principalmente, que nos tirou a comarca da Paraíba, Alagoas e a Comarca de São Francisco (hoje Juazeiro) por conta da rebeldia dos pernambucanos. Foi ele, D. Pedro I, usando como algoz o Conde dos Arcos, que mandou prender, degredar, torturar e executar muitos pernambucanos revolucionários.
fonte: (http://www.memorialpernambuco.com.br/memorial/paginas/historia/131resumodahistoriapernambucana.html)
Cidade onde o Mestre Preto José Pelintra Nasceu.
VILA DO CABO DE SANTO AGOSTINHO-PE
(http://www.cabo.pe.gov.br/historia.asp)
Sua história se inicia antes da chegada dos portugueses no Brasil. O cabo era povoado pelos índios caetés, mas na segunda metade do século XVI começavam a surgir outras povoações que foram chamadas de Arraial do Cabo.
As primeiras povoações chamadas de Arraial do Cabo surgiram na segunda metade do século XVI. Formado pelas Igrejas Matriz de Santo Antônio, de Santo Amaro, Nossa Senhora do Livramento e antiga Capela do Rosário dos Pretos e casario escasso representado por antigos prédios nas ruas da Matriz (Rua Vigário João Batista) e Dr. Antonio de Souza Leão.
Em 1560 João Paes Barreto instituiu o primeiro Morgado no Brasil e lhe deu o nome de Nossa Senhora da Madre de Deus do Cabo de Santo Agostinho, vinculando o Engenho Madre de Deus, depois chamado de Engenho Velho. A escritura foi redigida em 28 de outubro de 1580.
Segundo afirma Sebastião de Vasconcelos Galvão, autor do Dicionário Iconográfico, Histórico e Estatístico de Pernambuco, o povoamento sede do Município vem de 1618; antes dessa data compunham-se de algumas casas esparsas, distantes uma das outras.
Transcorridos mais de duzentos anos de ter sido a Povoação de Santo Agostinho elevada à predicação de Paróquia é que foi criada a Vila do Cabo de Santo Agostinho, por força do alvará de 27 de julho de 1811 e Provisão Régia de 15 de fevereiro de 1812, enviada ao então governador da Província, o General Caetano Pinto de Miranda Montenegro.
Sua instalação, no entanto, ocorreu em 18 de fevereiro de 1812, pelo ouvidor e corregedor-geral da Comarca de Recife, o Doutor Clemente Ferreira de França. Foi elevada a categoria de cidade a então Vila do Cabo de Santo Agostinho em 09 de julho de 1877, pela lei provincial nº. 1.269, para a denominação de Cidade de Santo Agostinho do Cabo.
O Cabo teve sua economia centrada no desenvolvimento da monocultura da cana-de-açúcar, a partir de 1570, com a doação de sesmarias ao longo do Rio Pirapama. Tendo João Paes ocupado às terras a ele concedida em 1571, ao sul do Rio Araçuagipe (Pirapama), funda o primeiro engenho bangüê que denominou Madre de Deus (hoje, Engenho Velho), o mais antigo centro açucareiro da Região. Mais tarde, com a criação de novos engenhos, o Cabo passa a representar o poderio econômico de Província de Pernambuco, época em que a cana-de-açúcar representava a força de crescimento do país.
Vinda da Família Real para o Brasil
Período Junino (1808-1821)
Medidas tomadas por D. João
D. João adotou várias medidas econômica que favoreceram o desenvolvimento brasileiro. Entre as principais, podemos citar: estímulo ao estabelecimento de indústrias no Brasil, construção de estradas, cancelamento da lei que não permitia a criação de fábricas no Brasil, reformas em portos, criação do Banco do Brasil e instalação da Junta de Comércio.
Do ponto de vista cultural, o Brasil também saiu ganhando com algumas medidas tomadas por D. João. O rei trouxe a Missão Francesa para o Brasil, estimulando o desenvolvimento das artes em nosso país. Criou o Museu Nacional, a Biblioteca Real, a Escola Real de Artes e o Observatório Astronômico. Vários cursos foram criados (agricultura, cirurgia, química, desenho técnico, etc.) nos estados da Bahia e Rio de Janeiro.
Retorno de D. João para Portugal
Os franceses ficaram em Portugal durante poucos meses, pois o exército inglês conseguiu derrotar as tropas de Napoleão. O povo português passou a exigir o retorno do rei que se encontrava no Brasil. Em 1820, ocorreu a Revolução do Porto, sendo que os revolucionários vitoriosos passaram a exigir o retorno de D. João VI para Portugal e a aprovação de uma Constituição. Pressionado pelos portugueses, D. João VI resolveu voltar para Portugal, em abril de 1821. Deixou em seu lugar, no Brasil, o filho D. Pedro como príncipe regente.
Pouco tempo depois, D. Pedro tornou-se imperador, após o processo de Independência do Brasil (7 de setembro de 1822).
ENTRANDO NA HISTORIA DA MESTRA MARIA LUZIARA
Estima-se que, no início da colonização portuguesa, cerca de quatro milhões de ameríndios viviam no atual território brasileiro.
Encontravam-se divididos em diversos grupos étnico-linguísticos: tupi-guaranis (região do litoral), macro-jê ou tapuias (região do Planalto Central), aruaques (Amazônia) e caraíbas (Amazônia).
Para podermos saber a ciência dos Mestres na Jurema Sagrada, Catimbó, temos a obrigação de saber a Historia do Brasil. A Princesa encantada da Jurema Sagrada, que foi encantada na da flor da Jurema Preta.
(Jurema-preta (Mimosa hostilis benth) é uma árvore pertencente à família Fabaceae, da ordem das Fabales típica da caatinga, ocorrendo praticamente em quase todo nordeste brasileiro). Bem adaptada para um clima seco possui folhas pequenas alternas, compostas e bipinadas com vários pares de pinas opostas. Possui espinhos e apresenta bastante resistência às secas com grande capacidade de rebrota durante todo o ano. Usada pelos índios da etnia xucurus-cariris em conjunto com a Jurema Branca (Mimosa verrucosa).
A Princesa encantada da Jurema Sagrada Maria Luziara
E a Mestra Maria Luziara da Conceição era filha do Mestre João Grande, que veio junto com a família real, nasceu na Bahia, em 1808.
Ai a confusão em seus pontos que fala que ela era princesa do Mestre João que era o seu Pai Mestre João Grande, veio para o Brasil junto com a família real muitos gente pra o trabalho e promessa de terras novas pra plantação famílias inteira se mudou para o Brasil como já lemos anteriormente.
A Imigração no Brasil deixou fortes marcas na demografia, cultura e economia do País. Em linhas Gerais, considera-se que as pessoas que entraram no Brasil em 1822, ano da independência, foram colonizadores.
A Partir de então, as que entraram na nação independente foram imigrantes.
Mais porem o Rei Dom João VI se se apaixonou por ela (Maria Luziara) que ainda e uma menina moça, e lhe deu muitas jóias e quando ele voltou para Portugal ela foi obrigada a subir para o Recife e se Prostituir por volta de 1821.
Agora veja bem quando foi mesmo que a família real foi se embora?
(A transferência da corte portuguesa para o Brasil foi o episódio da história de Portugal e da história do Brasil em que a Família Real Portuguesa e a sua Corte (inicialmente 15 mil pessoas) se radicaram no Brasil, entre 1808 e 1820.).
Tem Parte da cantiga de Maria Luziara que fala assim:
… Ganhou um Colar de ouro foi um casado quem lhe deu na passagem do Riacho Luziara perdeu. Perdeu, perdeu a sorte que o macho lhe Deu…
A Mestra tinha um grande mistério com ela que todos os homens que a olhava se apaixonavam pela sua educação, beleza e gentileza que teve educação Européia.
Chegando a Recife no Cais do Apolo em suas redondeza era o local de prostituição, e na época mulher separada, ou que não fosse casada era obrigadas a se prostituir daí Maria Luziara mocinha, conhece a Rua da Guia e se prostitui causando grandes transtornos e brigas nos bordel, pois era muito bela e todos os homens a cobiçava entre ele alguns hoje mestres, Manoel Quebra Pedra, Zé do Bairro da Encruzilhada, ou Zé da Encruzilhada que e a mesma coisas e foi à mulher das Paixões do Nosso Amado Mestre Rei do Catimbó Preto Zé Pelintra. Que Nasceu na Vila do Cabo de São Agostinho – PE.
Cantiga do Mestre que fala essa passagens…
“Na Rua da Amargura, a onde seu Zé Pelintra Morava (bis)
Ele Chorava por uma mulher,
Chorava por uma Mulher que não lhe amava.”
A INVENÇÃO DA LOCOMOTIVA

Não tardou muito para que estas questões relacionadas à invenção da locomotiva e à construção de estradas de ferro fossem conhecidas no Brasil. Pode-se dizer que as primeiras iniciativas nacionais, relativas à construção de ferrovias remontam ao ano de 1828, quando o Governo Imperial autorizou por Carta de Lei a construção e exploração de estradas em geral. O propósito era a interligação das diversas regiões do País.
A segunda ferrovia inaugurada no Brasil foi a Recife – São Francisco, no dia 8 de fevereiro de 1858, quando correu o primeiro tem até a Vila do Cabo, em Pernambuco. Esta ferrovia, apesar de não ter atingido a sua finalidade – o rio São Francisco – ajudou a criar e desenvolver as cidades por onde passava e constituiu o primeiro tronco da futura “Great Western”.
Lírios do Mestre Preto Zé Pelintra
Falando sobre o Trem…
- Telefone Corre No Fio E O Vapor Corre Na Linha,
Teu Juízo E Muito Fino Meu Pensamento Adivinha.
-Ah Seu Dotou, Seu Dotou, Bravo Senhor, Zé Pelintra Chegou,
Bravo Senhor. (Bis).
MESTRE PRETO ZÉ PELINTRA.

José Pelintra, ou Preto Zé Pelintra, carinhosamente Padrinho Zé Pelintra, que é o Padrinho de todos os Catimbozeiros, pois foi ele quem introduziu o tambor na jurema e levou para a casa fechada para proteger da policia antigamente os Juremeiros ia para as matas também era conhecido como José de Aguiar, vulgo Preto Zé Pelintra.
Se a Ferrovia foi inaugurada na Vila do Cabo em 8 de fevereiro de 1858 e o mestre tem em suas cantigas passagem com o trem logo ele viveu por essa época. E certo que ele foi passado com 114 anos em alhandra. PB.
José Phelintra de Aguiar e como a mãe dele era Maria José de Santana muitos o chamavam também de José de Santana, o Gomes que muitas vezes se vê foi acrescentado pelos Guimarães quando seu José foi Juremado no Açaís.
Mais Existe um mestre Esquerdeiro chamado José de Santana, que e parente do mestre também que vem posterior a sua morte.
Lírio do Mestre:
- Miudinho, Miudinho, Peneirado Feito Xerém,
Matei Um Cego E Um Aleijado, E Joguei Na Linha Do Trem.
Ah Seu Dotou, Seu Dotou, Bravo Senhor, Zé Pelintra Chegou
Bravo Senhor. (Bis).
“Mestre do Chapéu de Couro”, não confundir com o Boiadeiro chapéu de couro, O Mestre José de Aguiar quando foi para Paraíba passou a usar chapéu de couro, mais quando ia passear na Rua da Guia, no cais do Porto de Santa Rita,do Apolo e nas Ruas do Beco malicia onde a malandragem e os boêmios ficava se vestia de terno branco, que a palavra Pelintra nasceu dele mesmo pelo seu sobre nome de Filintra que veio de seu Pai que José Filintra de Aguiar, daí Pelintra de vestido ridiculamente, ou pobre se passando por rico, malandragem de mestiço era um termo pejorativo.
Conta-se à história que o sobrenome Aguiar é paterno e até nas incorporações o chamam de José Pilintra de Aguiar.
Sendo o primeiro e o único filho José Filintra de Aguiar, com uma Bugra mestiça com negro, que após o seu nascimento na vila do cabo em Pernambuco, foi para o Cabaré Hollywood que lá teve mais irmãos de outros pais que são Antônio, Francisco e Maria e por causa do irmão que ganhou também o apelido Pelintra. Honra o sobrenome das avós.
A família Aguiar em Pernambuco
João José Ferreira de Aguiar, 1° e único barão de Catuama, mais conhecido como Conselheiro Aguiar (Goiana, 10 de janeiro de 1810 — Recife, 18 de novembro de 1888) foi um magistrado, político, jornalista e professor brasileiro.
Filho de Antônio Ferreira Aguiar e Úrsula das Virgens de Aguiar, foi um dos primeiros matriculados na Faculdade de Direito de Olinda, formando-se em 1832. No ano seguinte foi nomeado juiz de Fortaleza, sendo depois transferido para o Piauí. Em janeiro de 1835 é nomeado para a segunda vara criminal do Recife.
Foi presidente das províncias do Rio Grande do Norte, de 1 de maio de 1836 a 26 de agosto de 1837, e do Ceará, de 24 de novembro de 1877 a 22 de fevereiro de 1878. Foi deputado provincial em Pernambuco várias vezes, e deputado geral pelo mesmo estado por 5 mandatos (5º,8ª,10ª e 16ª legislaturas).
Foi professor de Direito criminal de 1854 até aposentar-se. Como jornalista colaborou com diversos jornais do Recife: Diário de Pernambuco, Quotidiana Fidedigna, O Lidador, A União, O Clamor Público: Ordem e Liberdade, entre outros.
É recipiente da comenda da Imperial Ordem da Rosa e Imperial Ordem de Cristo. Seu nome batiza uma das principais avenidas da cidade de Recife, a avenida Conselheiro Aguiar.
AVENIDA CONSELHEIRO AGUIAR (Recife PE)
João José Ferreira de Aguiar; o Barão de Catuama foi escolhido pela municipalidade para homenagear essa importante artéria urbana. Diferentemente da Av. Boa Viagem e da Rua dos Navegantes, essa artéria, que inicia ainda no Bairro do Pina e vai até a Praça da Igrejinha.
O Conselheiro Aguiar nasceu em Goiana em 1810 e faleceu no Recife em 1888. Era abolicionista, magistrado e Professor da Faculdade de Direito do Recife.
Antônio Felipe Camarão
É muito grande e dizem que Antônio Felipe Camarão, “o índio Poty”, simples guerreiro da tribo dos Arataque, conseguiu negociar com as tribos dos Tabajaras e Pirajibes, por ser distinguido por suas bravuras e que lhe valeu diversas recompensas do Rei Dom João VI, de Portugal, a favor da Cidade da Jurema e dos Mestres.
Filho de Jatobá, irmão de Jacaúna, chefe da tribo que o acobertou na linha do Catimbó, muitos mestres hoje conhecidos sob a orientação do Mestre Zé Pilintra, encontrou um canal aberto no astral superior e depois de passado certo tempo no limbo para resgatar o mal que viveu na terra, se tornaria doador para prestar caridade. Aí está, com certeza, a linha da malandragem ou da pilantragem, já que Pilintra é uma corruptela de pilantra.
Mestre José Ferreira, ou Mestre Tangerino Zé Ferreiro,era um agregado da família Oliveira de Inácio de Oliveira irmão de Maria de Oliveira a Maria Índia ou Maria do Acaio a primeira Maria do Acaio a qual ganhou de Dom Pedro II as Terras as terras do Acaio, é foi que todos os chamavam de Zé Pilintra, sempre diz – não sou Zé Pilintra, nunca fui malandro, sou Ferreiro e Sou Trabalhador, apesar de alegre e gostar de dançar e brincar.
Família Oliveira de mestre Inácio de Oliveira que era índios Tabajaras na Fazenda Stival.
No Cangaço tem um que se chama Mestre José Ferreira ou Zé Ferreira que entrou para o cangaço, ainda menino, pensando em vingar o pai que foi morto por briga de terras, mais o cangaceiro Zé Ferreira, não e o mesmo Tangerino Zé Ferreira ou Tangerino Zé Ferreiro (tinha 2 profissão de tanger o gado pelo Sertão, e levava em um Jumento “Jegue” , os instrumento de trabalho para fazer ferraduras, facão e outros ofícios de um ferreiro nômade, clamo e tranqüilo, pois o Boi já era teimoso, e sempre volta pois era casado com a cigana Elisa, na Jurema e uma Princesa Encantada do Fundo do Mar, Zé Ferreiro tinha como companheiro o João Tangerino, que morreu e se encantou anos passado o mestre Inácio consagrou o Zé Ferreiro para o Mestre João Tangerino.
Como e de conhecimento de todos, os Pajés em suas aldeias, quando um grande guerreiro morria, eles pega um tronco de uma arvore sagrada e invocava aquele guerreiro e o consagrava em uns de seus amigos ou índios.
Voltando ao Mestre Preto Zé Pelintra, que não e o mesmo Mestre Tangerino Zé Ferreiro, que era muito parecidos, igualmente com o Mestre Zé Baiano, Mestre Zé da Encruzilhada era uma época que tinha muitos mestiços e Burgos igualmente ao Mestre José de Aguiar, fisicamente.
Mestre Preto José Pelintra,
“Lírio”
- E Preto José Pelintra, Nego do Fel Derramado. (Bis).
Na Direita Ele E Maneiro. Na Esquerda Ele É Pesado. (Bis).
Quem Mexer Com Que E Dele, Ou Está Doido Ou Esta Danado. (Bis).
Ah Seu Dotou, Seu Dotou, Bravo Senhor, Zé Pelintra Chegou,
Bravo Senhor. (Bis).
Esse mestre em vida, ou seja, o José de Aguiar não era bem visto pelos irmãos Juremeiros, que ele era barulhento e gostava de jogo, farra musica, bumba meu boi e todo tipo de festejo popular lá esta ele na frente, e os catimbó era feito abaixado no meio do mato mais ele queria que os tambores fossem tocados como ele foi consagrado na aldeia para o seu caboclo, por isso que usa uma pena de pássaro em seu chapéu.
Lírio
Mestre Zé Pelintra (Louvando O Seu Caboclo)
Para Quem Ele Foi Consagrado em vida Para Um Caboclo Pinavaruçu foi um Pajé hoje é um Príncipe na Jurema.

Eu Trago A Pena do Meu Caboclo No Chapéu,
Nego Zé Pelintra Vai Dominar Seu Coração.
O Meu Mestre Me Diga Um Segredo Seu?
Porque Lá Na Jurema Quem Duvidou Morreu…
O Mestre Preto Zé Pelintra e o padrinho do catimbó, pois foi ele quem levou o tambor para a jurema que era tocado somente os maracás abaixados na mata se a policia soubesse matava ali mesmo e não deixava ser enterrado em cemitério publico os mestres enterrava no pé da jurema preta e daí nasceu à mata encantada da jurema na Paraíba.
Seu Zé Pelintra se dizia e ainda diz que é doutor, por ser um grande conhecedor de ervas, ensina em suas mesinhas, como usar e para que sirva, todo bem que a erva do Juremar faz Zé Pelintra realmente é doutor, mas conta se que ele se apaixonou pela uma ruiva muito linda chamada Maria Luziara, e disse que alguns homens esta na Rua da Guia e brigou por causa da bela mulher que era prostituta, e na cadeia o ladino José de Aguiar, vestiu o seu terno branco e se apresentou como advogado de Maria Luziara, e após a sua soltura ela sumiu da cidade e se mudou para uma fazenda na serra da Borborema com que tinha ganhado na vida da Rua da Guia e foi criar gado. A policia ao descobrir que o tal advogado era um malandro que o enganara sai pelas ruas de Recife a sua procura daí que o jovem se mudou para a fazenda Stival na Paraíba e Lá foi a sua consagração na jurema sagrada, por contrariedade de seus irmãos que era muito farrista.
Não se sabe exatamente a data do nascimento de Zé Pelintra. A história conta que ele viveu nos séculos XVIII e XIX. Na época da chegada na família real ela era um rapaz.
Seu corpo foi sepultado no antigo e extinto cemitério de Afogados do Ingazeiro, a duzentos quilômetros de Recife-Pe.
Vivendo apenas 114 anos, Zé Pelintra se vestia com aprumo e não dispensava o chapéu de Panamá nas cidades mais no Sertão no meio dos cangaceiros e onde tinha uma festa Lá estava ele com o seu Chapéu de couro e seu gibão e um lenço encarnado se Intitulava o rei dos valentões. E nas andanças pelo sertão usava um chapéu de couro, e nem a cachaça de cabeça de cana – marafo: onde houvesse um arrasta-pé, lá estava ele sem ser convidado, sempre valsando ou frevando.
Lírios
Pendurado Na Boca Seu Charutão,
Chapéu De Couro Bengala Na Mão. (Bis)
Quem Nunca Viu, Venha Ver Esse Bom Mestre,
Seu Zé Pelintra Mandingueiro Do Sertão. (Bis).

Tem muitos estrangeiros na linha da Jurema, vindo da Europa antiga e o Catimbó teve grande influência. (Pernambuco foi invadido pelo Holandeses) Os encantados Juremeiros são filhos de italianos, holandeses, turcos, franceses, espanhóis e portugueses, etc. Exemplo: Dom Sebastião, O Rei da Turquia pai de Mariana, uma cabocla mestra do Amazonas, maravilhosa e curandeiro, Mestre João, português, e pai de Maria Luziara, uma mestra casamenteira, que só trabalha para o bem e assim vai.
O catimbó de Zé Pelintra é como as solenidades dos terreiros: dramático, por ter muita gente precisando de ajuda; interessante, por ser algo alegre e diferente; comovente, por sentirmos na pele a força dos guias; é real, por que prova a gigantesca força dos senhores mestres é contagiante, pela satisfação dos presentes.
A Jurema é misteriosa, desde a sua folha para fazer um descarrego até a sua casca, para fazer grandes remédios, para purificar o sangue e curar muitas doenças do mundo.
Senhor Zé Pelintra é, sem dúvida alguma, um grande mestre e está para o consulente como um sopro de vida. Aproveitemos a oportunidade de termos uma grande entidade para recorrermos.
ZÉ PILINTRA NO MUNDO DO CATIMBÓ
Como e de conhecimento de todos, o Mestre José de Aguiar, o tal Preto Zé Pelintra conhecido por todos na época, um brincalhão, boêmio, farrista e não era bem visto pelas pessoas de sua religião, os seus irmãos de Juremeiros que fazia os seus encontros no meio do mato escondido da policia, para não serem mortos já o José de Aguiar queria era bater o tambor beber e brincar com os caboclos nos tores. Quando ele passou com 114 anos um grande estrondo se deu em Tambabá era o mestre sendo recolhido na cidade da jurema. Logo após uns anos o mestre começou a pegar cabeça.
JOSÉ GOMES DA SILVA
Em vida o José Gomes da Silva acostou se com um Mestre que ate então era comum só se acostava com caboclos, boiadeiros e Tangerinos, e o Encantado que manifestou se apresentou e pediu a ser consagrado dando o nome de Preto José Pelintra, daí o Juremeiro uma vez consagrado ao mestre dentro da Jurema Sagrada, adotou:
• Os Tambores do Tores dos Caboclos nas Giras sem quantidades depende ao número de guardião que bate no dia da gira pode ser quantos quiserem.
• Triângulo, Afoxés, Pandeiros, os instrumentos utilizados nos forros e folclore nordestinhos.
Mestre José Francisco
O Mestre José Francisco é originário do interior do Rio Grande do Norte e foi para Patos PB e era discípulo consagrado para José Pelintra.
Amigo em vida do sobrinho de José de Aguiar Santos dos Anjos, que teve o nome em homenagem ao avo e ao Tio, consagrado na Jurema como Mestre dos Anjos, nasceu em Pernambuco e se mudou para Bahia conhecido como Zé Pelintra da Bahia. Todos os discípulos consagrados ao mestre, ou seja, ate hoje os discípulos do mestre Zé Pelintra se veste e passa a ter uma vida igual a que o mestre teve Boêmio e ou festeiro.
Lírios do Mestre José Francisco
“Eu rodei meu bom espaço numa hora do meio Dia”,
Eu Roguei todas as Correntes com o Rosário de Maria,
Sendo eu José Francisco por apelido Pelintra,
Ainda meio aperreado de uma vez eu mato 30,
Minha mãe pegou Zé sacudiu dentro do rio com a pedra no pescoço para deixa de ser vadio,
Minha mãe pegou Pelintra sacudiu dentro do poço com a pedra no pescoço pra deixa de ser teimoso. ”
Neste Lírio vemos que o mestre fala que ele se chama José Francisco mais tinha ganhado o apelido José Pelintra. Que o mestre Preto Zé Pelintra, ele pousava na cabeça de seus discípulos, os seus médium, e passava muito tempo acostados, e os levava para os lugares em que ele gostava de freqüentar, e fazia danuras e muito catimbó e curandeiro e a sua fama foi se alastrando e pegando outras cabeças pelo Brasil,
Seu sobrinho José Aguiar Santos dos Anjos foi consagrado para também para o mestre Preto Zé Pelintra, este então que foi um grande problema que ele alem se chamar José de Aguiar como o tio teve o apelido de Pelintra mais quando ele morreu e se encantou abaixa nos terreiros como o Mestre Zé dos Anjos, o Zé Pelintra da Bahia da Rua do Pelourinho, onde tem um terno por Lá.
José Gomes, José Franco, José de Santana, José da Proa, José, Francisco, Zé da Encruzilhada, entre muitos outros. Esses Juremeiros em vida foram consagrados para o mestre Preto Zé Pelintra, e o Mestre passaram ter muito nome e influência em suas vidas ate mesmo os discípulos passou a ter atitudes semelhastes a do mestre e ganhou o apelido de Zé Pelintra e muitos mesmo tinham o nome de José, e quando esses mestres foram passados para a Jurema eles vêm com os seus nomes mais muitos falam que e o mestre José Pelintra sendo que esse mestre José de Aguiar não abaixa mais. Vêm os Juremeiro que foi consagrado para ele.
Já no Rio de Janeiro era médium de Umbanda que recebia o mestre Preto José Pelintra, o José de Aguiar, após a morte deles vem nos terreiros de umbanda como malandros.
Porque que os umbandistas que recebia o mesmo mestre Preto Zé Pelintra não baixa como Mestre de Jurema e sim como Exu malandro, tendo somente um que e o Zé Pelintra da Lapa esse foi batizado na barriga de sua mãe quando saiu Grávida dele de Pernambuco e quando foi passado se se encantou e a figura do Malandro Carioca com a camisa listra de preto e vermelho que são as cores de seu padrinho Preto Zé Pelintra, e por isso que o Rio de Janeiro tem o encantamento da Malandragem e a fama de serem festeiros e alegres, por causa deste encantados, mais porem ele em vida não foi consagrado no pé da jurema preta, não foi consagrado a mestre nenhum e no ato de sua morte não foi encantado para ser um mestre de Jurema mais sim um encantado de sua terra o qual vem na linda de Exu (Lembramos todos que a Jurema Sagrada, Catimbó não temos Exu e Pomba Gira), O Exu Malandro ou Zé Pelintra da Lapa que são os mesmo, e quem comanda a linha dos malandros que todos são exu e não são mestres. (Não passou pelo atos da jurema mesmo porque no Rio de Janeiro não existia na época pé de Jurema as que tem hoje foi Juremeiros a levou e plantou nas suas casas e barracão.
Muitas casas no Rio de Janeiro trabalham com seu Zé Pelintra sendo esse o exu malandro e não mestre daí tem o José Pelintra do morro, da lapa etc. Esse mesmo Mestre vem trazendo a linha da malandragem.
O Mestre José de Aguiar gostava do frevo e do maracatu. Da Boemia da rua da Guia em Recife, Muitas vezes confundido com malandro, por ter vivido muitos anos na beira do cais, no Pátio do Terço, no Recife, onde existe a maior escola de encantaria do Brasil, fazendo com que chegasse ao Rio de Janeiro com um sentido de incorporação muitas vezes diferente. É bonito, contagiante, é alegre e sua ginga é realmente respeitada.
Finalizando os encantados quanto mais faz pela a humanidade mais luz vai ganhando, este homem José de Aguiar viveu no século XVIII a ao inicio do século XIX na época do final do império no Brasil, é um mestre que já foi consagrada a muitas cabeças muitas correntes, ele já passou na mesa da jurema varias vezes e hoje o mestre e consagrado como dono de corrente somente para médiuns que são guardião da jurema justamente que eles não tem incorporação, mais como já foi dito ele vem acompanhando os médiuns que consagrou para ele e já passou e foi encantados, tais como o José Gomes da Silva que e o médium mais antigo, e o qual muitos fala que e o verdadeiro Preto Zé Pelintra, exatamente isso que faz o mestre ser um encantado e o nosso padrinho da jurema o qual criou se a gira e a dança dos mestres.

PIPOCA OU PIRUA???

PIPOCA OU PIRUÁ???

A transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação por que devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser.
Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo.
Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre.
Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira.
São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosas. Só elas não percebem.
Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo.
O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor.
Pode ser o fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder o emprego, ficar pobre.
Pode ser o fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão, sofrimentos cujas causas ignoramos.
Há sempre o recurso do remédio. Apagar o fogo.
Sem fogo, o sofrimento diminui.
E com isso a possibilidade da grande transformação.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pensa que a sua hora chegou: vai morrer.
Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente.
Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz.
Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM! E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente que ela mesma nunca havia sonhado.
Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar.
São aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente se recusam a mudar.
Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A sua presunção e o medo são a dura casca que não estoura.
O destino delas é triste. Ficarão duras a vida inteira.
Não vão se transformar na flor branca e macia.
Não vão dar alegria para ninguém.
Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.
E você, o que é?
Uma pipoca estourada ou um piruá?

sábado, 6 de fevereiro de 2010

jurema sagrada

A Jurema mostra o mundo inteiro a quem bebe: Vê-se o céu aberto, cujo fundo é inteiramente vermelho; vê-se a morada luminosa de Deus; vê-se o campo de flores onde habitam as almas dos índios mortos, separada das almas dos outros. Ao fundo vê-se uma serra azul; vêem-se as aves do campo de flores: beija-flores, sofrês e sabiás. À sua entrada estão os rochedos que se entrechocam esmagando as almas dos maus quando estas querem passar entre eles. Vê-se como o sol passa por debaixo da terra. Vê-se também a ave do trovão, que é desta altura (um metro). Seus olhos são como as da arara, suas penas são vermelhas e no alto da sua cabeça ela traz um enorme penacho. Abrindo e fechando este penacho, ela produz o raio e, quando corre para lá e para cá, o trovão."
A JUREMA é uma árvore (Mimosa Nigra Hu ) que floresce no agreste e na caatinga nordestina; da casca de seu tronco e de suas raízes se faz uma bebida que alimenta e dá força aos encantados do "outro-mundo". É também essa bebida que permite aos homens entrar em contato com o mundo espiritual e os seres que lá residem. Tal árvore se constitui enquanto símbolo mágico-sagrado e é núcleo de várias práticas mágico-religiosas de origem ameríndia. De fato, entre os diversos povos indígenas que habitaram ou habitam o nordeste, se fazia e em alguns deles ainda se faz uso ritual desta bebida.
Contudo, este culto este se difundiu dos Sertões e Agrestes nordestino em direção às grandes cidades do litoral, onde elementos das outras matrizes étnicas entraram em cena. Desse modo, o símbolo da árvore que liga o mundo terreno ao além e, embora amargo, dá sapiência aos que dela se alimentam, ganha novos significados, surgindo um mito com traços cristãos. Neste sentido, a Jurema surge como a árvore que escondeu a sagrada família, dos soldados de Herodes, durante a fuga para o Egito, ganhando desde então suas propriedades mágico-religiosas.

A jurema é um pau sagrado
Onde Jesus descansou
Que dá força e "ciência"
Ao bom mestre curador.

Ainda nessa perspectiva, juntaram-se na constituição desta forma de religiosidade popular, outros elementos de origem européia como a magia e o culto aos santos do catolicismo popular. Da matriz africana, incorporou o sacrifício de animais, como realizado entre os Xangôs nordestinos, além de algumas divindades do panteão Yorubá. As constantes ondas migratórias entre o interior e o litoral devem ter influenciado nestes intercâmbios de elementos simbólicos no culto. E com esta configuração ele se espalha em algumas capitais nordestinas, como Recife, Paraíba, Maceió (onde resido atualmente) e Natal. A Jurema é a encontrada na cidade do Recife (onde residi durante 11 anos, durante minha adolescência), em terreiros localizados em sua grande maioria nos bairros periféricos da cidade. Dimensionado os limites espaço-temporais do presente trabalho, um primeiro ponto a ser considerado é que o culto à Jurema não se dá de forma padronizada entre os diversos grupos existentes. Como dizem os juremeiros: "Jurema? Cada uma tem a sua, a minha eu cultuo como aprendi com fulano... (sic.)"
"A Jurema de sicrano ..., ele dá bode ao mestre dele, na minha eu não cultuo com sangue...(sic.)". Contudo, em meio às diferenças, existe um complexo de ritos e crenças que os juremeiros compartilham e que permite distinguir o culto à Jurema de outras formas concorrentes de religiosidade popular, em especial do Xangô e da Umbanda como praticadas no Recife. O que chamaremos aqui, complexo mágico-religioso da Jurema, envolve como padrão a ingestão da bebida feita com partes da Jurema, o uso ritual do tabaco, o transe de possessão por seres encantados, além da crença em um mundo espiritual onde as entidades residem. Passaremos então a buscar, dentre os rituais observados em várias casas religiosas do Recife, os elementos que possibilitem melhor caracterizar o complexo mágico-religioso do Culto à Jurema. Enfocaremos, então, o mundo espiritual e o panteão de encantados, os artefatos religiosos, os rituais, enfim, a visão de mundo existente entre os juremeiros.

O Mundo Espiritual e Sua Representação no Mundo dos Vivos

"Abrindo a Mesa, com Luz e Amor
Abrindo as Portas do Juremá
Chamando os Guias
Para trabalhar."

Quem já assistiu uma reunião de Jurema, deve lembrar dessa toada, cantada no início das sessões, para convidar os "Senhores Mestres do outro-mundo" a participarem do mundo dos vivos. Para os juremeiros paraibanos e pernambucanos este mundo espiritual tem o nome de JUREMÁ e é composto por reinados, cidades e aldeias. Nestes Reinos e Cidades residem os encantados: os Mestres e os Caboclos. "Cada aldeia tem três `mestres'. Doze aldeias fazem um Reino com 36 `mestres'. No reino há cidades, serras, florestas, rios. Quantos são os Reinos? Sete, segundo uns. Vajucá, Tigre, Candindé, Urubá, Juremal , Fundo do Mar, e Josafá. Ou cinco, ensinam outros. Vajucá, Juremal, Tanema, Urubá e Josafá".
A JUREMA é a cidade-estado deste mundo espiritual. Em Alhandra, localidade do litoral paraibano, considerada por muitos o berço de uma grande linhagem de catimbozeiros e mestres do além, como Manoel Inácio e Maria do Acais, que lá formaram escola quando em vida; as árvores de Jurema cultivadas pelos catimbozeiros são consideradas as próprias cidades espirituais. "A `cidade' mais antiga de jurema, cujo pé de jurema teria sido plantado pelo `mestre Inácio', regente dos índios, é o arbusto velho e enorme que se encontra na atual propriedade `Estiva'... O arbusto é sempre venerado, e muitas vezes há velas acesas ao anoitecer. ... O lugar é chamado pelos entendidos de `cidade do Major do Dias'... Mestre Inácio e o mestre Major do Dias foram proprietários de Estiva. O atual proprietário, o mestre Adão, um dia tornar-se-á também `mestre' do além depois que o seu espírito for lavado ."
Entre os recifences, talvez pela falta de espaço nos locais de culto, troncos da planta são assentados em recipientes de barro e simbolizam as cidades dos principais mestres das casas. Estes troncos, juntamente com as princesas e príncipes, com imagens de santos católicos e de espíritos afro-ameríndios, maracas e cachimbos, constituirão as Mesas de Jurema. Chama-se Mesa o altar junto ao qual são consultados os espíritos e onde são oferecidas as obrigações que a eles se deva. As princesas são vasilhas redondas de vidro ou de louça dentro das quais são preparadas à bebida sagrada e, em ocasiões especiais, onde são oferecidos alimentos ou bebidas aos encantados. Os príncipes são taças ou copos, que normalmente estão cheios com água e eventualmente com alguma bebida do agrado da entidade. É comum vê-se nas mesas mais elaboradas uma complexa arrumação onde entra na composição príncipes, princesas e trocos. O príncipe ou a princesa é a menor unidade de simbolização de uma entidade espiritual. Todo Juremeiro deve ter, ao menos um destes dedicado ao seu mestre e assentado em sua mesa. Contudo, de acordo com a disponibilidade financeira, pode-se constituir todo um "estado espiritual" – as cidades dominadas por uma determinada entidade. Confecciona-se um estado através do uso de uma princesa tendo ao seu centro um príncipe e em seu derredor mais seis deles. Para complementar este artefato, entraria o tronco da árvore sagrada, que pode ficar no centro da mesa ou em baixo dela. Para alguns entendidos no culto, é no troco – junto com outros apetrechos que a entidade que o domina solicita que seja nele depositado – onde estaria o verdadeiro segredo de uma "Jurema plantada". Portanto, eles argumentam que este deveria ficar longe dos olhos dos curiosos, normalmente em baixo da mesa. Como adverte uma das toadas: "A Ciência da Jurema / Todos querem saber / Mas é feito casa de abelha / Trabalha que ninguém vê." Em cima do tronco, sobre a mesa, ficaria, a vista de todos, o jogo de príncipes e princesas.

Os Habitantes do Juremá

Duas categorias de entidades espirituais tem seus assentamentos nas mesas de Jurema, os Caboclos e os Mestres.

Os Caboclos e Índios
I
"Fui pra mata, fui caçar
Atirei no que não vi
Acertei passo sagrado,
Era um Pitiguarí.

II

Mas, Tupã me perdoou
Hoje eu não caço mais
Me chamo Flecha Dourada,
Protetor dos animais."

(Jurema de mesa)

Os Caboclos são identificados como entidades indígenas que trabalham principalmente com a cura através do conhecimento das ervas. Durante a estada destas entidades nos terreiros, incorporadas nos médiuns, dão passes e realizam benzeduras com ervas e folhagens. São associados às correntes espirituais mais elevadas, as que trabalham para o bem, mas que também podem ser perigosas quando usados contra alguém. Por isso são muito temidos. "... na antiguidade se tina muito medo dos caboclos por causa das flechadas. A flechada de um índio é pior que o trabalho de um mestre... só algumas pessoas que sabem mexer e botar a mão ali dentro"
Nas Mesas o caboclo é simbolizado por príncipes, estátuas de índios e apetrechos confeccionados por ameríndios ou inspirados neles como cocares, flechas, preiacas, colares, etc. Os caboclos comem frutas, flores, mel, carne bovina ou peixe, que pode ser crua, cozida no vinho, ou assada na brasa. Com a introdução de sacrifício de animais nas práticas juremistas, é comum oferecer-lhes pequenos animais como passarinhos, preás, coelhos e outro "bichos de caça". São oferecidos ainda raízes como a mandioca, a batata doce e alimentos confeccionados a partir delas. Alguns juremeiros oferecem vinho branco a estas entidades, outros apenas suco de frutas e refrigerantes como o guaraná. Normalmente os caboclos não fumam e no momento das reuniões e giras a eles destinadas não se deve fumar; contudo alguns caboclos se utilizam destes elementos. No caso dos caboclos que utilizem do tabaco em seus trabalhos, nas oferendas estes devem se fazer presentes na forma em que o caboclo em questão mais se agradar (cachimbo ou cigarro de palha ou charuto). Completam as oferendas as bugias ou inãs, as velas. Na incorporação vê-se três estereótipos relacionados ao gênero e a faixa etária destas entidades: Os caboclos crianças, sejam de um sexo ou de outro, descem pedindo mel, balas e frutas. São pouco ascéticos quando comem estes alimentos, depositando e misturando os ingredientes no próprio chão dos terreiros. É costume, ainda, lambuzarem a si e aos com que compartilham de seu alimento. Muitas vezes querem comer pequenos insetos e répteis que encontrem nas casas de culto, sob a argumento de que nas matas comem destes animais. São brincalhões e falam uma linguagem infantilizada do tipo tati-bi-tati. Os caboclos adultos do sexo masculino tem o semblante carrancudo. Sua voz , normalmente faz-se ouvir claramente. Descem em geral estalando os dedos e emitindo um som sibilante. Quando em reuniões, onde não haja o batuque dos tambores, dançam em círculo, dobrando um joelho e deixando a outra perna atrás. Nas festas a sua coreografia muda assumindo os passos dançados pelos "caboclinhos" dos folguedos populares do carnaval pernambucano. As caboclas tem uma expressão facial de maior suavidade e, normalmente, falam uma linguagem onde se intercala no início das palavras a sílaba si.

Os Mestres

É morão que não bambeia
É morão que não bambeia
Os Mestres da Jurema
É morão que não bambeia.
(Gira de Jurema)

Uma outra categoria de entidades que recebem culto na Jurema é a dos Mestres. Ao que parece o termo mestre é de origem portuguesa, onde tinha o sentido tradicional de médico, ou segundo Câmara Cascudo de feiticeiro. De forma geral, os mestres são descritos como espíritos curadores de descendência escrava ou mestiça (índio com negro ou branco com uma das duas outras raças). Dizem os juremeiros que os mestres foram pessoas que, quando em vida, trabalharam nas lavouras e possuíam conhecimento de ervas e plantas curativas. Por outro lado, algo trágico teria acontecido e eles teriam "se passado" (morrido), se encantando, podendo assim voltar para "acudir" os que ficaram "neste vale de lágrimas". Alguns deles se iniciaram nos mistérios e "ciência" da Jurema antes de morrer, como o mestre Inácio ou Maria do Acais e toda a linhagem de catimbozeiros de Alhandra, que após um ritual denominado "lavagem" ganham um lugar nas cidades espirituais e passam a incorporar nos discípulos que formaram. Outros adquiriram esse conhecimento no momento da morte, pelo fato desta ter acontecido próximo a um espécime da árvore sagrada. No panteão juremista, existem vários mestres e mestras, cada qual responsável por uma atividade relacionada aos diversos campos da existência humana (cura de determinadas doenças, trabalho, amor...). Há ainda aqueles especialistas em fazer trabalhos contra os inimigos. Nas mesas, as representações das entidades relacionadas nesta categoria são as mais elaboradas, geralmente possuindo o estado completo e a "jurema plantada"; em especial a do "mestre da casa", aquele que incorpora no juremeiro, faz as consultas e iniciam os afilhados nos segredos do culto. Por tudo isso esse mestre é carinhosamente chamado de "meu padrinho". Cada mestre está associado a uma cidade espiritual e a uma determinada planta de "ciência" (angico, vajucá, junça, quebra-pedra, palmeira, arruda, lírio, angélica, imburana de cheiro e a própria Jurema, entre outros vegetais), existindo ainda alguns relacionados a fauna nordestina (mamíferos – guará, preá; aves – gavião, periquito, arara, pitiguarí; insetos – abelhas, besouro mangangá; répteis). Para os mestres relacionados a uma outra planta que não a Jurema, são estas plantas (quando arvores) que tem seus trocos plantados nas mesas dos discípulos.

I
"No outro mundo, do lado de lá!
No outro mundo, do lado de cá!
Tem um pé de árvore, Angico real.
Tem um pé de Jurema, tem um pé de Jucá,
Tem um pé de árvore, Angico Real.

II
Ai meu Deus, Mestre Angico sou eu.
Ai meu Deus, Mestre Angico será.
Os anjinhos tão no céu, a sereia no mar.
Ai meu deus mestre Angico Reá.
(Jurema de Mesa)

Por exemplo, a cidade de Mestre Angico deve ser plantada em um troco da árvore do mesmo nome; as cidades das mestras geralmente são plantadas em trocos de imburana de cheiro. No caso dos mestres que tem relação com vegetais, são daquelas espécies que tiram a força e a "ciência" para trabalhar. Os que tem relação com animais, acredita-se que eles possam encantar-se em animais das espécies referidas, aparecendo em sonhos, visagens e, muitas vezes, assim metamorfoseados quando incorporados em seus discípulos. Nesta categoria, como entre os caboclos, há uma distinção do gênero das entidades. Distinção que irá determinar seus atributos e como devem ser cultuadas. O símbolo dos mestres masculinos é o cachimbo ou "marca", cujo poder está na fumaça que tanto mata como cura, dependendo se a fumaçada é "as esquerdas" ou "as direitas". Essa relação com a "magia da fumaça" é expressa nos assentamentos dos mestres, onde sempre se encontra presente "rodias" de fumo de rolo, nos cachimbos e nas toadas:

I
Setenta anos,
Passei no pé da Jurema.
Mas eu não tenho pena
De quem me faça o mal.

II
Se eu me zangar
Eu toco fogo no rochedo
Meu cachimbo é um segredo
Agora vou me vingar.
(Jurema de Mesa e Gira de Jurema)

Como oferendas, os mestres recebem a cachaça, que nunca deve faltar quando estão presentes nos cultos, o fumo, seja nos charutos ou os utilizados nos cachimbos, alimentos preparados com crustáceos e moluscos diversos. Com essas iguarias, agrada-se e fortifica-se os mestres. A bebida feita com a entrecasca do caule ou raiz da Jurema e outras ervas de "ciência" (Junça, Angico, Jucá, entre outras) acrescidas à aguardente, é, entretanto, a maior fonte de força e "ciência", para estas entidades. Nos terreiros que sofreram maior influência dos cultos africanos, é comum o mestre receber sacrifícios de galos vermelhos, bodes e, muitas vezes, até de novilhos. Quando em terra, incorporados, os mestres já chegam embriagados, tombando de lado a lado e falando embolado. São brincalhões, chamam palavrões, mas o que falam é respeitado por todos. Durante o transe os mestres apresentam-se com o corpo ligeiramente voltados para a frente. Na dança as pernas tem os joelhos ligeiramente flexionados, o pé direito vai a frente e dá dois passos para o mesmo lado, o pé esquerdo é arrastado; é então a vez do pé esquerdo ir a frente no mesmo estilo de dança; variações vão sendo executadas tendo como base o ritmo dos Ilus e a letra das toadas. Quanto as Mestras, reconhece-se seus assentamentos pela presença de leques, bijuterias, piteiras, cigarros e cigarrilhas. Como no caso dos mestres, existe uma infinidade destas entidades, com atributos e especialidades nas questões mundanas e espirituais. Algumas casas fazem uma distinção entre as mestras que trabalham "nas esquerdas" e "nas direitas". Nesta última categoria, encontram-se mestras como a Gertrudes e a Lorinda, ambas parteiras na vida material e hoje ajudam as mulheres no dar a luz a mais um "ser vivente". Algumas mestras morreram virgens, por isso ganharam o estatuto de princesas quando ingressaram nas moradas do além. Vale lembrar os nomes de algumas princesas como a Mestra Marianinha, a Princesa Catarina e a Princesa da Rosa Vermelha.

I
"Sou Princesa da Rosa Vermelha
Sou Princesa que venho ajudar
Sou Princesa dos campos de Anadir
O meu ponto venho afirmar

III
Vinde, vinde, vinde minhas irmãs
Vinde, vinde, vinde me ajudar
Eu sou a Princesa Elisa
O meu ponto venho afirmar
(Jurema de Mesa)

Contudo, não é fácil encontrar, atualmente, a manifestação de tais mestras; encontramos bem mais as chamadas "mestras das esquerda", entidades que em vida material foram "mulheres de vida fácil"; mulheres das ruas e dos cabarés nordestinos.

I
Homem pequeno
na minha cama não dormia,
Servia de cafetão,
nas horas que eu queria.

II
Mulher sozinha
é mulher de opinião,
É mulher de muitos homens
más só um no coração.

III
Eu vou dá uma,
vou da duas, vou dá três,
Se você me arretar,
eu dou quatro, cinco, seis.
(Gira de Jurema)

Lembremos das Mestras Paulina e Juvina, inimigas desde as "bandas de Maceió"; Mestra Ritinha que se passou com quinze anos na Rua da Guia, antigamente uma das mais populares zonas de baixo meretrício recifense e que hoje abriga bares freqüentados pela alta sociedade da cidade; Mestra Severina que residia no bairro do Pina e passeava no bonde do Loré quando este percorria as velhas ruas da capital pernambucana; Júlia Galega da Zona do Sul...

I
Tava na beira do Cais
Quando um naviu apitou
Um marinheiro me deu um abraço,
Apertou minha mão, minha boca beijou.

II
Ela é Julia Galega,
Foi num cabaré onde se passou
Seus cabelos loiros,
Na Jurema ela deixou.

III
É Julia Galega da Zona do Sul
Ela da lapada, tira o couro e come cru.
(Gira de Jurema)

Tais mestras são peritas nos "assuntos do coração", são elas que dão conselhos as moças e rapazes que queiram casar-se, que realizam as amarrações amorosas, que fazem e desfazem casamentos.

Todo jardim tem que ter uma flor,
Onde tem paz, tem que ter amor.
Home prá ser home, tem que ter mulher,
Dai-me um cigarro quem quiser Amélia chegou.
(Mesa de Jurema)

Muito vaidosas, quando incorporadas elas trasvestem os seus discípulos de forma a melhor aclimatar a "matéria" as suas performances femininas. Quanto a mudança corporal característica da incorporação das mestras, observamos que quando estão dançando geralmente mantém uma ou as duas mãos dobradas com a palma para fora, na altura da cintura ou quadris. Quando seguram um cigarro, a palma da mão fica sempre distendida e a mostra. Na dança os braços fazem arcos; ficam distendidos ao longo do contorno da roupa; em alguns momentos, geralmente quando canta-se toadas que falam do corpo ou da sensualidade feminina, as mãos passeiam pelo contorno da silhueta corporal. Quando entre seus afilhados e discípulos no mundo material, bebem cerveja, sidra e champanhe, embora não rejeitem outras bebidas que se lhes ofereça. Gostam de comer peixe assado que é depositado em suas princesas para lhes dar força para trabalhar. Algumas casas, as que se utilizam de sacrifícios a estas entidades, elas recebem galinhas, cabras e novilhas.

Outras entidades

Além dos caboclos e dos mestres, vem na jurema, mas com menos freqüência, os Pretos e Pretas Velhas. Espíritos de velhos escravos africanos, peritos em benzeduras e nos conselhos que dão a seus "netinhos" dos terreiros. Temos aqui, talvez, uma influência da Umbanda sobre o culto Juremista. Contudo a influência dos cultos africanos é melhor expressa na incorporação dos Exus e Pomba Giras ao panteão juremista. Na Jurema eles aparecem como os servos dos mestres ou como mestres menos esclarecidos e mais propícios aos trabalhos para o mal. Junta-se a este panteão os Santos da Igreja Católica, que são cumprimentados pelos mestres e caboclos, e os quais encontramos referências nas toadas e nas orações utilizadas nos fazeres mágicos ensinados pelos espíritos.

I
Minha Santa Terazinha,
Vós queira me ajudar.
Os trabalhos que eu fizer,
Outros não possam desmanchar.

II
Sou massapê,
Barrostroá!
Sou caboclo da Jurema,
Só faço o bem, não faço o mal.
(Jurema de Mesa)

Também encontramos em algumas Juremas os Orixás do Xangô. Em algumas casas se abre as giras de jurema cantando para os Deuses de origem africana depois de saudar Exu. Entretanto as toadas são, geralmente, em português como na Umbanda.

Caboclo Oxossi entrou na Jurema,
Mamãe Oxun levou para criar.
Mas ele é um rei caçador,
É filho da índia da cobra coral.
(Gira de Jurema e Jurema de Mesa)

Além disso, é comum os mestres indicarem serviços a serem feitos com o "povo da bunda grande" (modo como as entidades de jurema se referem ao culto dos Orixás), além de saberem quais os seus próprios Orixás de cabeça. Junte-se ainda o Deus Supremo, que é sempre saudado pelos mestres e caboclos: "quem pode mais do que Deus?" "Salve Deus!"

Os Ritos

Juremação e Tombo de Jurema

Olha o tombo na Jurema
No terreiro Juremar
Vou pedir força a meu pai
Licença pra trabalhar.
(Juremação)

Muitos juremeiros dizem que "um bom mestre já nasce feito"; contudo alguns ritos são utilizados para "fortificar as correntes" e dar mais conhecimento mágico-espiritual aos discípulos. O ritual mais simples, porem de "muita ciência" é o conhecido como "juremação", "implantação da semente", ou "Ciência da Jurema". Este ritual consiste em plantar no corpo do discípulo, por baixo de sua pele, uma semente da árvore sagrada. Existem três procedimentos para se chegar a "juremação" dos discípulos. Em um primeiro, o próprio mestre espiritual é o responsável pela implantação da semente. Esse mestre promete ao discípulo e após algum tempo, misteriosamente, surge a semente em uma parte qualquer do corpo. Um segundo procedimento é aquele em que o líder religiosos (o juremeiro) realiza um ritual especial, onde dá a seus afilhados a semente e o vinho de Jurema para beber. Após este rito, o iniciante deve abster-se de relações sexuais por sete dias consecutivos, período em que todas as noites ele deverá ser levado em sonhos, por seus guias espirituais, para conhecer as cidades e aldeias onde aqueles residem. Ao final deste período, a semente ingerida deverá reaparecer em baixo de sua pele. Caberá, ainda, ao iniciante contar ao seu iniciador o que viu em sonho para que este reconheça ou não a validade de suas viagens espirituais e, por conseguinte, da juremação. Num terceiro procedimento, o juremeiro implanta a semente da Jurema, através de um corte realizado na pele do braço.
Há ainda, geralmente concomitante a ciência de Jurema, um ritual conhecido como a "Ciência do Cachimbo". Este dará, ao iniciante, força em suas "cachimbadas". Tal "ciência" é dada através do sopro invertido do cachimbo, onde a fumaça é jogada pelo tubo do mesmo, diretamente sobre a pele do braço do iniciante, até que o calor queime o local.
O "Tombo de Jurema" se constitui no processo pelo qual muitos dos mestres, que hoje estão no mundo espiritual, passaram para ganhar a "Ciência". "Tombam" no pé da jurema e ao acordar estão prontos para trabalhar. Foi o caso do Mestre Carlos, famoso por seu dom de cura nas mesas de Jurema de todo o nordeste.

I
Ôh de casa Ôh de fora,
Quem é que me bate aí?
É Jesus, Nossa Senhora
As portas me vai abrir.

II
Ôh de casa Ôh de fora
Louvado seja meu deus!
Com Jesus, Nossa Senhora
Mestre Carlos apareceu.

III
Mestre Carlos é um bom mestre
Que nasceu sem se incinar
Três dias levou caido
Na rama do juremá
Quando se alevantou
Foi mestre prá trabalhar.
(Jurema de Mesa)

Contudo, nos terreiros, o rito foi tornado bem mais complexo que sua referência mítica. O tombamento consiste, então, no oferecimento de alimentos e sacrifícios às correntes espirituais do iniciante. Nele comem o Caboclo, o Mestre, a Mestra, o Exu e a Pomba Gira do iniciante. Acontece ainda a juremação, com a implantação da semente através do corte na pele e a viagem espiritual. A viagem deve acontecer no período que se intercala entre a oferta dos sacrifícios ao caboclo e a preparação das comidas oferecidas em banquete ritual. Ainda durante o sacrifício, o iniciante é levado, durante o transe, para "correr as cidades espirituais". O interessante e singular neste transe é que os adeptos acreditam que enquanto a pessoa (Ego) é levada para realizar a viagem espiritual, o caboclo permanece no corpo do iniciante. Concluído o sacrifício, passa-se à preparação das carnes dos animais e a partição das frutas e alimentos oferecidos aos encantados. O caboclo é alimentado com uma pequena porção de tudo que foi oferecido. Findo o banquete, o caboclo é então mandado de volta a sua cidade e o filho deverá contar ao seu iniciador o que viu. Se sua viagem for considerada válida segue-se os sacrifícios às demais entidades: o Mestre, a Mestra, o Exu e a Pomba Gira. No dia posterior, em animada festa, o caboclo, vestido a caráter, deverá, como na iniciação do Candomblé, gritar o seu nome e também cantar sua toada. O Iniciante também poderá vestir as demais entidades a quem "deu de comer". A riqueza deste ritual completo está intrinsecamente ligada as condições financeiras do iniciante.

Reuniões e Festas

Sexta-feira, 19:30 hs., seu Malunguinho já está em terra. Os seus afilhados cantam para agrada-lo. A uma ordem do Mestre-Caboclo-Exu, cachaça para os homens, vinho para as mulheres. Eventualmente a bebida feita com a Jurema também é compartilhada pelos presentes. Ninguém consegue ficar parado. A reunião prossegue e a vontade de dançar aumenta. Muitos ensaiam algumas das coreografias próprias dos toques de macumba. O espaço é mínimo, mas a vontade vence as limitações. O primeiro andar da casa da mãe carnal de Gilmar se transforma em um verdadeiro terreiro.
Outras entidades seguem o caminho aberto por seu Malunguinho e também se comunicam com os presentes através do corpo dos Juremeiros. Em Gilmar vêm o Mestre Junqueiro e a Mestra Paulina. Figuras consagradas dentro da "Sagrada Jurema". Uns ou outros vem, vez e outra, às reuniões semanais na casa/terreiro de Pai Gil no bairro de Brasília Teimosa, Zona Sul da cidade de Recife. Assim também é na casa de Pai Carlitos, no bairro do IPSEP, onde é a vez do Mestre Cibamba e da Mestra Severina tomarem a cena e comandarem os "trabalhos espirituais".
Nos terreiros menores, como os supra citados, onde os pais de santo ainda lutam para conquistar um espaço de destaque no concorrido mercado religioso da cidade, são os mestres e outras entidades dos próprios pais de santo que fazem a cena das noites de reunião. Nos terreiros já consolidados, os filhos com "mediunidade desenvolvida", Jurema plantada e cidades assentadas dividem e compartilham com os seus "Padrinhos de Jurema" os trabalhos e consultas a serem realizadas.
"Cada Jurema é uma Jurema"; existem muitas formas de se "trabalhar dentro da Ciência espiritual". Existem aqueles que realizam a Jurema de Mesa em seus terreiros. Os discípulos sentam ao redor de uma mesa, em cima destas alguns príncipes e princesas. Após louvar-se o nome do Nosso Senhor Jesus Cristo, exaltar-se a força da Jurema Sagrada e de outras Árvores encantadas, recitar-se uma oração Católica ou a "Prece de Cáritas", abre-se as sessões.
Uma "Mesa" pode ser aberta "pelas direitas" ou "pelas esquerdas". Nas abertas "pelas direitas", só as entidades mais elevadas devem se fazer presentes: Caboclos, Índios, Princesas e Mestres que já estão "perto de subir", todas "entidades de muita luz". Incorporadas elas dão passes, receitam banhos de ervas e defumações, além de cantarem seus pontos, afirmando assim sua força na Sagrada Jurema.
Quando se abre uma mesa "pelas esquerdas" qualquer tipo de entidade espiritual pode vir. Os trabalhos não precisam, necessariamente, visar o mal de alguém, contudo, aberto os trabalhos por este lado da "ciência", já é possível devolver aos inúmeros inimigos, que estão sempre a espreita, os males que estes possam estar fazendo.

Campos verdes, Campos verdes
Campos verdes do Senhor
Vamos virar os contrários
Pra cima de quem Mandou
Com as forças da Jurema
De Jesus Nosso Senhor

Em algumas casas as reuniões não ocorrem em redor de uma mesa, mas perto da "mesa/altar" onde encontram-se assentados os encantados da casa. Por vezes isso acontece pela falta de espaço no cômodo onde acontece a reunião, em outros casos deve-se ao fato do terreiro não possuir médiuns desenvolvidos, em número o suficiente para compor "a corrente" de uma mesa. Contudo as entidades são chamadas, quase sempre, na mesma seqüência quando as reuniões acontecem com os discípulos sentados ao redor de uma mesa. Orações e saudações feitas, canta-se para abrir a "mesa" e chamar os guias. Em algumas casas estes dão sua presença, afirmando que protegerão seus discípulos durante a realização dos trabalhos. Canta-se então para Malunguinho, o caboclo que pode vir como Mestre ou também como Exu. Para alguns ele é o verdadeiro Exu da Jurema. Em seguida canta-se para os demais caboclos do Juremá: Cabocla Aurora, Índio Tupi, Sete Flechas, Caboclo Guarací, os Tapuias e os Canidés, a própria Cabocla Jurema e seus "Capangueiros" do Além. Incorporando ou não eles são homenageados com toadas próprias. Subindo o último Índio ou Caboclo, é o momento de todos, exceto o juremeiro-mor, se prostrarem de joelhos no chão e pedir ao Juremá licença para entrar em seus domínios; é que os "Senhores Mestres" já vem chegando...

I
Ôh, Jurema encantada!
Que nasceu em frio chão!
Daí-me força e ciência.
Como destes a Salomão!

II
Rei Salomão bem que dizia
A seus filhos juremados
Para entrar na jurema, mestre!
Tem que Ter muito cuidado!

III
Rei Salomão bem que dizia
A seus filhos juremeiros
Para entrar na Jurema, mestre!
Tem que pedir lisensa primeiro

IV
Vamos salvar a Jurema, Mestre!
Vamos salvar Salomão
Vamos salvar a Jurema, Mestre!
Que é de nossa Obrigação.

V
Rei Salomão, Rei Salomão!
Arreia, Rial!
Rei Salomão do Juremá!
Arreia, Rial!
Eu vou chamar senhores Mestres!
Arreia, Rial!
Para com eles triunfar!
Arreia, Rial!

Os discípulos pedem benção aos Juremeiros mais velhos na casa. Saúdam com benzenções a Mesa da Jurema e os artefatos dos Mestres. A Jurema é dita aberta. Os Senhores Mestres começam a chegar. Parece ser este o momento que todos esperam, a chega dos Mestres e, quando estes se forem, a presença das Mestras. É o momento das consultas que sempre têm clientela certa. Momento onde coisas sérias são tratadas com irreverência, sem que no entanto percam a gravidade e o apresso dos mestres e mestras, sempre prontos a ajudar a seus afilhados. Nos casos mais graves, entretanto, o mestre logo marca um dia mais conveniente, onde poderá realizar "trabalhos em particular". É assim que o mestre, traz os recursos financeiros necessários para a manutenção da casa de culto e do seu discípulo.
As ocasiões de festa, os "toques de Jurema" ou "Macumbas", tem inicio com cantigas para Exu e em seguida para as Pomba Giras. Despachado os Exus, segue cantigas para Malunguinho e posteriormente para os outros Caboclos. Voltando os Caboclos para as suas aldeias, saúda-se a Sagrada Jurema e os mestres começam a chegar. Canta-se para que os mestres subam e inicia-se as toadas das mestras. Após a subida destas, uma Pai Nosso seguido de uma Ave Maria encerra o culto aos espíritos. Segue-se, então, os festejos com o Ajeum (comida profana), por vezes acompanhado de um "Coco de Roda" (dança popular).

A Jurema e o Campo Religioso Afro-brasileiro

Senhores Mestres do Outro Mundo
Do Outro Mundo e deste também
Quero fechar meus trabalhos, senhores mestres!
Nas horas de Deus, Amém.
(Jurema de Mesa, Toada de encerramento)

A literatura clássica sobre o Xangô do Recife, tende a colocar como distintas e incompatíveis o Culto à Jurema e o Xangô Tradicional. A tendência é tomar como um dos critérios para identificar o grau de tradicionalidade das casas de santo, a realização ou não de tal culto. Os que cultuam o panteão juremista são logo caracterizados como sincréticos (Umbanda e Xangô-Umbandizado). Entretanto, a literatura antropológica constatou de que a Jurema, mesmo que muitas vezes esteja discursivamente invisível, está presente em todos aqueles espaços religiosos. Mesmo nos Terreiros de Xangô mais tradicionais do Recife, alguns dos quais sem nenhum espaço ritualmente constituído para cultuar os espíritos da Jurema, estes reaparecem nas residências dos filhos de santo ou em terreiros afiliados (para os filhos que alcançaram a senioridade e abriram casas), recebendo culto de diversas formas.
Desse modo, não podemos entender a Jurema como uma forma secundária de religiosidade ou prática mágico-curandeirística. Embora, não possua ela uma existência autônoma, ou seja, ela apareça quase sempre relacionada a outras formas religiosas como o Xangô e a Umbanda, vemos a Jurema como tendo uma importância fundamental dentro dessas formas de religiosidade.
Nas conversas com o povo de santo, as pessoas falam que "A Jurema é quem dá o pão de cada dia", ou seja , é das consultas dadas pelas entidades e dos trabalhos por elas recomendados que vem grande parte do dinheiro para a manutenção da casa e de seus sacerdotes.
Além disso, mesmo almejando iniciar-se no culto aos Orixás e/ou aprofundar-se em seus "fundamentos" (para os que já tenham se iniciado), a grande maioria dos pais de santo iniciam sua carreira espiritual consultando seus clientes e filhos com as entidades de Jurema. "Que a Jurema é quem traz para o Candomblé. Porque você não vai virar com (...) Oxum pra fazer uma consulta. Totalmente errado (...) Agora receber Pomba Gira, Exu, Luziara (...) Ela consulta o consulente e ele sai alegre e satisfeito. Mas já o Orixá, de maneira alguma. É uma coisa totalmente fina (...) Então a Jurema é mais tranqüila para esse tipo de coisa." (Pai de Santo, Nação Gêge)
Pensando na clientela, junte-se outros fatores que contribuiem para a presença da Jurema nestes diversos espaços religiosos. Para uma pessoa que esteja entrando em contato com a religiosidade afro-brasileira, a Jurema causa menor estranhamento do que o culto aos Orixás. As entidades são brasileiras e foram quando em vida pessoas do povo, as toadas são em português e tanto elas como as conversas com as entidades versam sobre problemas inerentes ao dia-a-dia: dinheiro, trabalho, sexo, amor, saúde, etc.. Isso em um contato direto, face a face, com um ser sagrado (os deuses e deusas). Além disso, dizem os fieis, os resultados dos trabalhos feitos com as entidades da Jurema, além de mais baratos, tem um sucesso mais rápido."Eu já sou mais apegado com a Jurema, sabe? Não sou muito apegado com Orixás não. Eu gosto mais do Orixá, mas na hora do aperreio mesmo eu procuro mais a Jurema. Não sei se eu sinto mais força na Jurema ou se é a questão que eles falam, né? Sabem conversar então o santo em si não conversa, o santo chega, faz o que ele tem que fazer e vai se embora. Então, pra mim, o santo não ajuda outra pessoa, só ajuda os seus próprios filhos. Agora, a jurema não, a jurema dá pra encarar de um modo diferente. Que ela.... você pede pra falar com um mestre, você concentra, chama o mestre, o mestre vai ver o que está acontecendo, as vezes não precisa nem falar, se é um bom médium mesmo. (..) Ele já fala o que é que tá acontecendo e o que precisa ser feito. Então é isso que me apega mais com a Jurema." (Filho de Santo, Nação Angola)
Também o uso da bebida, que circula entre homens e seres divinos, todos bebendo de uma mesma taça, num crescendo de animação, promovidas pela própria bebida atrelada aos cânticos e danças e pelo contexto próprio, ou seja, um culto de religação como o mundo espiritual (e com tudo o que isso possa significar para cada um dos presentes), leva a mobilização da energia que faz de um aglomerado de pessoas um grupo. Nesta perspectiva, é de se ressaltar que é o Culto a Jurema entra como um dos elementos que atrai adeptos para os terreiros de Xangô e de Umbanda. Não é apenas o brilho das festas que atrai as pessoas para estas formas de religiosidade. A assistência prestada pelos encantados aos que a eles recorrem, já levou muitos católicos e mesmo protestantes a, em busca de alívio para as "mazelas do mundo", se tornarem juremeiros ou filhos-de-santo. Por outro lado, é nessa rotinização do pensar do grupo - os ritos - que os padrões de pensar e se comportar são passados para as pessoas que buscam o culto. A periodicidade com que acontecem, o fato de serem momentos de sociabilidade, faz das reuniões de Jurema a primeira instância de socialização dos grupos afro-brasileiros do Recife. É através dela que surge o sentimento de pertencimento que mantém as pessoas nos grupos. Ao nosso ver, atrair pessoas e manter vivo os grupos são o papel destas pequenas festas que são cada uma das reuniões de Jurema. Momento em que se vem fumar, beber e trocar idéias com os seres encantados do "outro mundo".